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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Uma vida que valha a pena viver

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Lucas 19, 11-28
Como foste fiel nas coisas pequenas, recebe o governo de dez cidades (Lc 19, 17)

 

Viver é sempre um empreendimento exigente. Vive bem aquele que caminha, avança, progride e rende.  Hoje em dia, época fissurada em lucros, compreendemos bem o sentido da conhecida parábola dos talentos. Sim, os discípulos de Cristo precisam fazer render, no bom sentido,  tudo o que receberam e recebem de graça da parte do Senhor e da vida.


Pode acontecer que devido ao cansaço, ou ao medo de perder o que temos, caiamos na tentação de querer conservar o dado e não produzir, com o recebido, o novo.  Há pessoas acomodadas, outras medrosas, outras ainda decepcionadas com a vida ou traumatizadas por fatos de tal sorte que  ficam no seu canto... esperando a hora da prestação de contas...


Há a frutificação do ser humano que se concretiza num cultivo da inteligência e da vontade.  Não somos objetos a serem conservados, mas pessoas destinadas ao crescimento. Crescemos estudando, observando, comparando... Crescemos exercitando o querer, a vontade.  Não podemos nos deixar levar pela moda, mas pela inteligência e vontade, somos seres de discernimento. Analisamos, estudamos e examinamos opções, fazemos escolhas. Inteligência e vontade são talentos a serem trabalhados.


Há a frutificação do casamento.  Um homem e uma mulher caminham juntos, colocam em comum suas riquezas interiores, seus trabalhos, revisam seus passos, reorientam os projetos, iluminam sua vida de bem querer com a fé cristã, procuram ser um casal generosamente aberto ao mundo.

 

Não querem ser casalzinho fechado, preocupado narcisisticamente  com suas coisas. Não se perpetuam como um casal  acanhado, consumista, apequenado. Frutificam seu amor conjugal.


Há uma frutificação profissional. Ninguém pode optar por um caminho profissional meramente para lucros e obtenção de admiráveis resultados financeiros. O médico de valor trabalhará, investirá, dedicar-se-á aos outros numa persistente vontade de colocar o melhor de si a serviço dos outros. O médico de valor pesquisa, perscruta cada aspecto da doença e da saúde. Encanta-se com a arte de cuidar e de curar.


Há a frutificação da vida crista. De graça recebemos, de graça damos.  Ninguém pode enterrar seus talentos ou ser minimalista em termos de restituição ao Senhor do bem recebido. A frutificação haverá de se manifestar de diferentes meios e modos.  O discípulo cultivará áreas de intimidade com o Senhor em seu coração na oração, meditação, contemplação. Será alguém coerente, envidando todos os empenhos para que o interior corresponda ao exterior. Não  será o que parece dizer, mas o que efetivamente vive.  Frutifica  aquela pessoa que está sempre à disposição do Evangelho. Tem sempre a convicção de que tudo foi feito e tudo resta por fazer.


Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

Fonte: Franciscanos On Line

sábado, 7 de novembro de 2009

Esperança

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Cântico da Esperança


Não peça eu nunca
para me ver livre de perigos,
mas coragem para afrontá-los.


Não queira eu
que se apaguem as minhas dores,
mas que saiba dominá-las
no meu coração.


Não procure eu amigos
no campo da batalha da vida,
mas ter forças dentro de mim.


Não deseje eu ansiosamente
ser salvo,
mas ter esperança
para conquistar pacientemente
a minha liberdade.


Não seja eu tão covarde, Senhor,
que deseje a tua misericórdia
no meu triunfo,
mas apertar a tua mão
no meu fracasso!


Rabindranath Tagore

domingo, 18 de outubro de 2009

Qual é a sua cela?

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Francisco, com efeito, é visitado pelo Espírito. Ele “sempre procurava um lugar escondido em que pudesse unir a seu Deus não só o espírito, mas também cada membro. Quando era subitamente agraciado em público pela visita do Senhor, para não estar sem cela, fazia do manto uma pequena cela. Muitas vezes, faltando-lhe o manto, para não revelar o maná escondido, cobria o rosto com a manga. Sempre interpunha algo aos presentes, de modo que, inserido entre muitos no estreito espaço de um navio, rezava sem ser visto. Finalmente, não podendo nada destas coisas, fazia do peito um templo. O esquecimento de si e a absorção em Deus fizeram desaparecer tosses e gemidos, respirações duras e gestos externos” (2Celano 94).

Qual é a sua cela?

Nós cristãos sabemos o quanto é importante e necessária uma vida de oração. Nem digo diária. Mas vou mais além: o tempo todo. Sei que não é nada fácil devido à correria de todos os dias... trabalho, estudo, o barulho que nos envolve em vários lugares, tirando nossa atenção, nossa paz e nos deixando nervosos e com a atenção desviada para qualquer coisa, menos voltada para Deus. E esse desvio de atenção e a falta de oração não pode nos fazer bem. Ao contrário, só nos fazem mal. Nossos corações vão se tornando vazios, ansiosos, nervosos, angustiados, irritados. E isso não faz bem nem para o nosso espírito, nem para nossa mente, tampouco para nosso corpo. Espírito, mente e corpo deve estar em perfeita sintonia, senão tudo desanda.

Por isso a necessidade de estarmos o tempo inteiro em espírito de oração. Se estivermos numa condução onde não somos os condutores do veículo, podemos rezar o terço e se o veículo estiver transitando em estradas conservadas podemos orar através de livros de orações (porque se a condução não é confortável, isso pode ocasionar o descolamento da retina ocular). E até mesmo oração pessoal é muito eficaz.

Estar com o pensamento e o coração voltados para o Alto. Isto é oração. É encontro pessoal com Deus. Ele está em todos os lugares, todo tempo. Portanto, há necessidade de procurarmos a adaptação ao meio que vivemos ou estamos momentaneamente. NOSSO CORAÇÃO É A NOSSA CELA. Se conseguirmos mergulhar nos braços do Espírito em qualquer lugar e situação, será um passo bem grande para entrar e estar em perfeita sintonia com a Divindade e nossos corações conhecerá a verdadeira doçura espiritual. Acordar e respirar o Espírito. Desfrutar de sua doçura nas primeiras horas do dia e entregar a Ele o nosso dia. Durante o dia, trabalhemos, estudemos e façamos todas as coisas nos braços do Espírito. O Bem Maior, o Divino Consolador, nosso Maior Advogado. Roguemos sempre, através da interseção da Santa Mãe, de nossos Santos Anjos Protetores e de nossa Guarda e nossos Santos Protetores e Guias Espirituais.

Com isso, sentiremos a diferença nos acontecimentos diários. Nossas atitudes e comportamentos mudam diante de determinados acontecimentos. Teremos paz naqueles instantes em que outrora “teríamos vontade até de entrar numa briga”.

Já tive essa sensação. Cheguei a me perguntar: “ Essa sou eu”? O mundo nos envolve se fracassamos em nossas obrigações com o Altíssimo.

Na maioria das vezes sou uma pessoa tranquila e calma. Mas já me vi em várias situações em que a paciência já passou muito longe de mim. Meu pavio é muito curto e posso dizer que a disciplina adquirida através da oração me ajuda muito.Isso é conversão. Pra vida toda. Como eu disse logo no começo do texto: não é diário. E sim o tempo todo. Porque diário me dá certa impressão de fazer algo em determinados momentos do dia. É o meu ponto de vista.

Mesmo a passos lentos, não devemos deixar de caminhar, pois parados não chegaremos a lugar algum.

A oração e a meditação nos fazem lembrar nossa obrigação cristã: anunciar o Evangelho, por palavras e por obras. Busquemos com todas as nossas forças o aperfeiçoamento de nossa fé, aplicando o que Deus nos ensina em nossas atividades diárias.

Procuro a liberdade. Não Vejo Deus como um Pai opressor, que castiga, que obriga. Ele nos deu o livre arbítrio. Por outro lado, deixou-nos a maior preciosidade: A sua PALAVRA. E creio que a minha vocação é o Amor. E o Amor é livre.

A passos lentos, sem pressa, mas buscando a perfeição da caridade. Pedra por pedra, com esperança. Senão eu morrerei em vida.

Ajo assim no meu trabalho que amo demais. Apesar de viver numa tensão diária, não consigo hoje imaginar fazendo algo diferente do que eu faço. Procuro a perfeição. Porque eu amo. E o Senhor nos disse: “Sede perfeitos como o vosso Pai é perfeito”. Dou o meu sangue onde trabalho, adquiri o estresse e outras coisas desagradáveis. Mas me cuido, porque quero continuar dando meu sangue, pois tenho esperança e acredito na VERDADE. O trabalho é um dom. Trabalhar é uma graça. Busco a perfeição. Preciso buscar a perfeição em tudo que me cerca, onde vivo, onde convivo, mas como eu disse, pedra por pedra. Sei que o Senhor conhece as minhas limitações melhor do que eu e às vezes erro pensando que estou acertando. Remédio: ORAÇÃO.

“Tudo o que pedirdes ao Pai em Meu nome, serás atendido”. DEUS É FIEL E CUMPRE TODAS AS SUAS PROMESSAS.

Tenho um oratório em cima de minha mesa de trabalho. É muito bom. Mais uma forma de estar sempre atenta onde meu coração deve estar, pedir socorro e agradecer. Preciso muito.

Sem esquecer-se das missas, das adorações Eucarísticas, enfim, o que rege a nossa fé. Tudo isso é força, é energia espiritual, é paz, é domínio de si, é aprendizado, é esvaziamento de si, é encher o coração de Deus... se precisa de mais ....dobra, triplica as orações. Ela é que nos põe em contato direto com o nosso Bem Maior.

 

VEM ESPÍRITO SANTO. VEM ORAR EM MIM QUE EU NÃO SEI REZAR.

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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Padroeira do Brasil

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Oração a Nossa Senhora Aparecida


Ó incomparável Senhora da Conceição Aparecida,
Mãe de Deus, Rainha dos Anjos,
Advogada dos pecadores,
refúgio e consolação dos aflitos e atribulados,
Virgem Santíssima,
cheia de poder e de bondade,
lançai sobre nós um olhar favorável,
para que sejamos socorridos por vós,
em todas as necessidades em que nos acharmos.
Lembrai-vos, ó clementíssima Mãe Aparecida,
que nunca se ouviu dizer
que algum daqueles que têm a vós recorrido,
invocado vosso santíssimo nome
e implorado a vossa singular proteção,
fosse por vós abandonado.
Animados com esta confiança,
a vós recorremos.
Tomamo-vos para sempre por nossa Mãe,
nossa protetora, consolação e guia,
esperança e luz na hora da morte.
Livrai-nos de tudo o que possa ofender-vos
e ao vosso Santíssimo Filho, Jesus.
Preservai-nos de todos os perigos
da alma e do corpo;
dirigi-nos em todos os assuntos espirituais e temporais.
Livrai-nos da tentação do demônio,
para que, trilhando o caminho da virtude,
possamos um dia ver-vos e amar-vos
na eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

 

Leiam também: Dia da Criança: Cidadã ou Consumista?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Amizade dos animais

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Amizade dos animais. Se eu pudesse viveria cercada por muitos deles. São seres que nos oferecem amizade gratuita, têm gratidão, não são “fofoqueiros”, não tramam pelas costas, não brincam com sentimentos, não traem.

São simples, meigos, carinhosos, sabem qual é o seu lugar: um ao lado do outro. Nem acima nem abaixo. Apenas vivem. Cada um de acordo com suas necessidades. E AMAM. OS ANIMAIS SABEM AMAR, COM AMOR PURO, VERDADEIRO E SINCERO. AMAM E AJUDAM SEUS AMIGOS, SEJAM ANIMAIS OU HOMENS, GRATUITAMENTE, SEM QUERER NADA EM TROCA.

Eles são livres. Quisera eu a liberdade dos animais. Mas é algo contido na raíz da minha esperança.

Suas emoções fluem transparentemente. E muitas vezes entendem-se mutuamente. Ele e seu dono.

Não gosto muito deste termo “dono”. Prefiro outras palavras carinhosas, que utilizo habitualmente.

CONFIANÇA: CONFIO MUITÍSSIMO NELES. Sei que nunca irão me virar as costas. Sei que não são egoístas nem egocêntricos.

LEALDADE: 100%. Eu acredito. E tenho gratidão.

Amizade pra vida toda. Quandos nos cativa….é porque os cativamos também. Então o que nos resta é fazer como o pequeno príncipe: “ Você se torna responsável por aquilo que cativa”.

Então nos respeitemos e cuidemos um do outro.

Obra perfeita do Criador.

Que Deus abençõe sempre essas amizades.

Atualmente são as minhas prediletas.

Não desprezando as minhas amizades…que me são tão caras e as posso contar nos dedos das mãos. Digo isto sem receio porque estas amizades sabem o quanto as amo, respeito e  algumas já me disseram pensar da mesma forma, pois também vivem ou viveram esta experiência.

Experimentem. Faz bem!!!

PS: Meu pai sempre diz: “Mais vale um cachorro amigo do que um amigo cachorro”.

domingo, 4 de outubro de 2009

São Francisco de Assis e dia Mundial dos Animais

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Seráfico Pai

Pobrezinho de Assis

Que no esvaziamento de si próprio

Esvaziou-se do mundo

Enchendo-se da caridade

E do tesouro da Jerusalém celeste

Pai dos pobres, marginalizados e oprimidos

Irmão de todos

Do sol, da lua, das estrelas

da água, da mãe terra,

do fogo

Irmão dos homens

e dos animais.

Quem soube amar a Deus, como tu?

Quem soube se entregar a vontade Divina

Esquecendo-se de si próprio?

Quem soube viver a vida plena

na terra

antecendendo a do céu?

Pai, meu Pai

Peço sua bênção

Sua paciência

Sua mão

Porque por aqui

Nada é fácil não.

Mas vós sabeis bem disso, como ninguém.

Peço-lhe que dirijas ao Pai do Céu

um muito obrigada pela abundância

de seus benefícios

E um pedido de perdão por minhas

inumeráveis faltas.

E saiba Pai, que aconteça

o que acontecer

o meu coração estará sempre

voltado para ti e para o Céu

Pois a minha vocação

é o Amor.

Pai Seráfico

Padroeiro da Ecologia

Peço-lhe também por ela

Que tanto necessita de carinho,

cuidado, respeito, Amor.

Por tudo que foi e fizeste

Por tudo que significa para mim

e para todos que a ti amam

Peço-lhe Pai

A sua bênção poderosa

E a intercessão, todos os dias

junto ao Pai das Misericórdias

por nossas almas.

Amém!

 

Meus bebês adotivos (CAMILA  e SHANA) – Abaixo:

 

Abençoai-as!

Camila 005           Shana 025

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

17 de Setembro – Celebração das chagas de São Francisco de Assis

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O TESTEMUNHO DAS FONTES FRANCISCANAS

 

Dos "Fioretti" - Terceira consideração dos Sacrossantos Estigmas

"Um dia, no princípio de sua conversão, ele rezava na solidão e, arrebatado por seu fervor, estava totalmente absorto em Deus e lhe apareceu o Cristo Crucificado. Com esta visão, sua alma se comoveu e a lembrança da Paixão de Cristo penetrou nele tão profundamente que, a partir deste momento, era-lhe quase impossível reprimir o pranto e suspiros quando começava a pensar no Crucificado".
E rezava:

 

"Ó Senhor, meu Jesus Cristo, duas graças eu te peço que me faças, antes de eu morrer: a primeira é que, em vida, eu sinta na alma e no corpo, tanto quanto possível, aquelas dores que tu, doce Jesus, suportaste na hora da tua dolorosa Paixão.
A segunda, é que eu sinta, no meu coração, tanto quanto for possível, aquele excessivo amor, do qual tu, filho de Deus, estavas inflamado, para voluntariamente suportar uma tal Paixão por nós pecadores".

 

Da Legenda Menor de São Boaventura, Capítulo 6

"Francisco era um fiel servidor de Cristo. Dois anos antes de sua morte, havendo iniciado um retiro de Quaresma em honra de São Miguel num monte muito alto chamado Alverne, sentiu com maior abundância do que nunca a suavidade da contemplação celeste. Transportado até Deus num fogo de amor seráfico, e transformado por uma profunda compaixão n'Aquele que, em seus extremos de amor, quis ser crucificado, orava certa manhã numa das partes do monte.


Aproximava-se a festa da Exaltação da Santa Cruz, quando ele viu descer do alto do céu, um serafim de seis asas flamejantes, o qual, num rápido vôo, chegou perto do lugar onde estava o homem de Deus. O personagem apareceu-lhe não apenas munido de asas, mas também crucificado, mãos e pés estendidos e atados a uma cruz. Duas asas elevaram-se por cima de sua cabeça, duas outras estavam abertas para o vôo, e as duas últimas cobriam-lhe o corpo.


Tal aparição deixou Francisco mergulhado num profundo êxtase, enquanto em sua alma se mesclavam a tristeza e a alegria: uma alegria transbordante ao contemplar a Cristo que se lhe manifestava de uma maneira tão milagrosa e familiar, mas ao mesmo tempo uma dor imensa, pois a visão da cruz transpassava sua alma como uma espada de dor e de compaixão.


Aquele que assim externamente aparecia o iluminava também internamente. Francisco compreendeu então que os sofrimentos da paixão de modo algum podem atingir um serafim que é um espírito imortal. Mas essa visão lhe fora concedida para lhe ensinar que não era o martírio do corpo, mas o amor a incendiar sua alma que deveria transformá-lo, tornando-o semelhante a Jesus crucificado.


Após uma conversação familiar, que nunca foi revelada aos outros, desapareceu aquela visão, deixando-lhe o coração inflamado de um ardor seráfico e imprimindo-lhe na carne a semelhança externa com o Crucificado, como a marca de um sinete deixado na cera que o calor do fogo faz derreter.


Logo começaram a aparecer em suas mãos e pés as marcas dos cravos. Via-se a cabeça desses cravos na palma da mão e no dorso dos pés; a ponta saía do outro lado. O lado direito estava marcado com uma chaga vermelha, feita por lança; da ferida corria abundante sangue. Frequentemente, molhando as roupas internas e a túnica. Fui informado disso por pessoas que viram os estigmas com os próprios olhos.


Os irmãos encarregados de lavar suas roupas, constataram com toda segurança que o servo de Deus trazia, em seu lado bem como nas mãos e pés, a marca real de sua semelhança com o Crucificado".

 

Tomás de Celano - Vida II, 211

"Francisco já tinha morrido para o mundo, mas Cristo estava vivo nele. As delícias do mundo eram uma cruz para ele, porque levava a cruz enraizada em seu coração. Por isso fulgiam exteriormente em sua carne os estigmas, cuja raiz tinha penetrado profundamente em seu coração".

 

Outros textos: 1Cel, 94; Legenda Maior, 13,35,69.

O SENTIDO E O SIGNIFICADO DAS CHAGAS DE SÃO FRANCISCO

 

Frei Régis G. Ribeiro Daher

Mais do que desvendar o caráter histórico das Chagas de São Francisco, importa refletir sobre a experiência de vida que se esconde sobre este fato. O que significa a expressão de Celano "levava a cruz enraizada em seu coração"? O que isso significou para o próprio Francisco? Há um significado para nós hoje, naquilo que com ele ocorreu?

 

Um erro comum é o de ver São Francisco como uma figura acabada, pronta, sem olhar para a caminhada que ele fez até chegar à semelhança perfeita (configuração) com o Cristo. O que ocorreu no Monte Alverne é o cume de toda uma vida, de uma busca incessante de Francisco em "seguir as pegadas de Jesus Cristo". Francisco lançou-se numa aventura, sem tréguas, na qual deu tudo de si: a vontade, a inteligência e o amor. As chagas significam que Deus é Senhor de sua vida. Deus encontrou nele a plena abertura e a máxima liberdade para sua presença.

 

O segundo significado das chagas é o de que Deus não é alienação para o ser humano, ao contrário, é sua plena realização e salvação. Colocando-se como centro da própria vida é que o homem se aliena e se destrói; torna-se absurdo para si mesmo no fechamento do seu 'ego'. O homem só encontra sua verdadeira identidade, sua própria consistência e o sentido de sua existência em Deus. E Francisco fez esta descoberta: Jesus Cristo foi crucificado em razão de seu amor pela humanidade - "amou-os até o fim" - , e ele percorre este mesmo caminho.

 

O terceiro significado: as chagas expressam que a vivência concreta do amor deixa marcas. A exemplo de Cristo, Francisco quis suportar/carregar e amar os irmãos para além do bem e do mal (amor incondicional). Essa atitude o levou a respeitar e acolher o 'negativo' dos outros mantendo a fraternidade apesar das divisões. Esse acolher e integrar o negativo da vida é a única forma de vencer o 'diabólico', rompendo com o farisaísmo e a autosuficiência, aniquilando o mal na própria carne. Só assim, o homem é de fato livre, porque não apenas suporta, mas ama e abraça o negativo que está em si e nos outros.

 

O quarto significado: seguir o Cristo implica em morrer um pouco a cada dia: "Quem quiser ser meu discípulo, tome a sua cruz a cada dia e me siga" (Lc 9,23). Não vivemos num mundo que queremos, mas naquele que nos é imposto. Não fazemos tudo o que desejamos, mas aquilo que é possível e permitido. Somos chamados a viver alegremente mesmo com aquilo que nos incomoda, vencendo-se a si mesmo e integrando o 'negativo', de modo que ele seja superado. Nós seremos nós mesmos na mesma medida em que formos capazes de assumir nossa cruz. As chagas de São Francisco são as chagas de Cristo, e elas nos desafiam: ninguém pode conservar-se neutro, sem resposta diante da vida.

 

São Francisco não contentou-se em unicamente seguir o Cristo. No seu encantamento com a pessoa do Filho de Deus, assemelhou-se e configurou-se com Ele. Este seu modo de viver está expresso na "perfeita alegria", tema central da espiritualidade franciscana: "Acima de todos os dons e graças do Espírito Santo, está o de vencer-se a si mesmo, porque dos todos outros dons não podemos nos gloriar, mas na cruz da tribulação de cada sofrimento nós podemos nos gloriar porque isso é nosso".

 

OS ESTIGMAS DE FRANCISCO E OS NOSSOS

Ainda que em nós não foram impressos os estigmas do crucificado de modo visível, cada um tem suas feridas que podem salvar, que podem tornar-se fonte de salvação para si e para os outros. A cada um que se deixa ferir em nome de Cristo e que leva em si a sua cruz, Francisco repete o que disse a Leão: também tu estás marcado com a cruz de Cristo e por isso és abençoado. És um possuído de Deus e estás sob a proteção dele.

Leonhard Lehmann – Francisco, mestre de oração

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